o mundo das probabilidades
pulsa prenhe de possibilidades
ansiosas para realizarem-se
aqui no Mundo Real
mais do que tudo
a Ânsia da Vida clama
pela exuberância da energia
que busca o propósito
na harmonia da Música das Esferas
o Radiante contempla-se
no ventre de Yggdrasil
para ver o esplendor do Sol
plasmar-se consigo pela glória
mais altiva que as asas alcançam
O Monóbolo
tu! tu que está aí
abaixe tua cabeça já
você também! mais você!
todo mundo de cabeça mole
um tirano instalou-se aqui
cá em minhas entranhas secretas
meu ânimo férreo exige
a supressão das vossas vontades
agora mesmo! sem demora!
minha vontade é faminta
encimada por agudas ânsias
a angústia corre por minhas veias
meu rancor quer pisotear
os esplendores de todo o mundo
a Vontade Única quer humilhar
todas as demais vontades
olhe cá pra cima! aqui estou!
contemple a face do Monóbolo
meu ciúme exige exclusividade
abaixe tua cabeça já
você também! mais você!
todo mundo de cabeça mole
um tirano instalou-se aqui
cá em minhas entranhas secretas
meu ânimo férreo exige
a supressão das vossas vontades
agora mesmo! sem demora!
minha vontade é faminta
encimada por agudas ânsias
a angústia corre por minhas veias
meu rancor quer pisotear
os esplendores de todo o mundo
a Vontade Única quer humilhar
todas as demais vontades
olhe cá pra cima! aqui estou!
contemple a face do Monóbolo
meu ciúme exige exclusividade
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O Sonho do Robô
Roservind era um robô autômato e trabalhador nas minas de Yanacocha. Aos 160 anos de idade, ele ainda estava em serviço efetivo. Nunca descansava, exceto quando precisava recarregar-se de energia ou durante a manutenção das máquinas autômatas.
Este robô servia em uma época depois da Grande Revolução Robótica (foi de um impacto muito maior do que a Revolução Industrial) e pouco depois da R.R.I. (Reforma Robótica Industrial), pelas quais milhões de robôs foram destruídos por mãos humanas em todo o planeta. Mesmo que estas máquinas com inteligência artificial fossem muito avançadas, nunca significaram um perigo para a Humanidade, visto que sua inteligência nunca chegaria a rivalizar com a inteligência humana. Os robôs jamais teriam a ambição e a maldade para matar seres vivos. Nem poderiam ter o que torna o ser humano especial... esta coisa chamada “alma”.
Roservind tinha a estrutura morfológica de um humano. Coberto de metal resistente à corrosão, seu rosto não refletia nenhuma emoção. Este robô servia como multiusos na indústria, pois as fábricas estavam restritas a um máximo de três robôs, segundo a Lei Cinco da RRI. Roservind costumava trabalhar como faxineiro, médico, contador e instalador de dinamites, além de outros trabalhos. Diariamente, ele era vítima de humilhações por parte dos trabalhadores: cuspiam nele, pintavam ele e mijavam no corpo metálico dele. Porém, o robô não entendia a chacota daqueles que riam dele.
Um dia, Roservind estava trabalhando a 4000 metros abaixo da terra com mais de 100 mineiros. Foi então que aconteceu o desastre: houve um desmoronamento que entupiu de rochas e terra todos os acessos das minas. Demoraria mais de oito meses até chegar o resgate... se ainda estivessem com vida.
Depois de quatro meses, os trabalhadores passaram a morrer um após outro por causa da fome e da sede. Mesmo a ajuda médica do robô não foi o bastante para os desgraçados. Restavam apenas dez daqueles cem mineiros. Não havia coisa nenhuma que o robô pudesse fazer... apenas se dedicava a observar a agonia dos restantes. Mesmo que não tivesse emoções, ele podia pensar. Então, recordou-se dos velhos tempos gravados em sua base de dados da memória: quando servia de mordomo para uma família. Família que vendeu ele como sucata, mas... ele nunca sentiu mágoa por isso. Nunca compreendia por que as pessoas choravam, riam... eram tão imprevisíveis. Viu o último mineiro vivo à beira da morte... ele agarrava uma cruz enquanto tinha uma foto de sua família... chorava e pouco depois, morreu.
O robô ficou só com os cadáveres. Daí pela primeira vez perguntou-se o que o fazia diferente dos humanos. Porque eles vão para o céu e os robôs... não. Os animais não vão para o céu – dizia a si mesmo – por que os humanos? Eu poderia ir para o céu? Deste modo o robô formulava muitas perguntas. Dentre estas, recordava quando houve uma greve de trabalhadores da mina. Eles reclamavam por seus direitos, tinham metas na vida. Recordava os grandes triunfos na história humana; alcançaram suas metas... seus sonhos.
Vários dias depois, as luzes da mina se apagaram e o robô ficou em total escuridão... e perguntou-se: qual é minha meta nesta existência? Acendeu a luz de seu capacete e passou a ler a bíblia de um cadáver.
Passaram-se mais de nove meses para chegar o resgate... apenas pegaram o robô.
Uma vez afora da mina... todos olhavam com ódio para ele. Sem qualquer motivo, um supervisor disse ao robô:
— Tu... volte a trabalho!
O robô permaneceu parado em frente ao supervisor, então este ficou surpreendido porque todos os robôs sempre executam qualquer ordem rapidamente... mas, este era diferente.
— Volta pro trabalho! – seguiu exclamando o supervisor. Contudo, o robô entendeu a diferença entre robôs e humanos... era a alma. Segundo as Sagradas Escrituras, a alma era única em cada ser humano, além de ser ela que se destina ao céu ou ao inferno ao deixar o corpo material.
— Não me escuta, robô estúpido! – Roservind perguntava-se: como posso pensar independentemente, sem obedecer as complexas linhas de programação? Como posso conseguir uma alma? Então, sem dar-se conta o robô já tinha uma meta... um sonho. Agora faltava apenas dar o primeiro passo de sua longa jornada... uma palavra:
— De jeito nenhum!
Desde este momento, Roservind acabava de nascer.
Esse texto é uma tradução do conto "El sueño del robot"
FONTE: http://www.losmejorescuentos.com/cuentos/CF886.php
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O Prometeu Moderno
Sim... este título é uma referência direta ao Frankenstein de Mary Shelley. Nesta obra estupenda, a Srta. Shelley mostra como o ardor por descobrir a vida pode desembocar em uma grande calamidade quando a única luz disponível é o rigor técnico. De fato, o Monstro é dotado de sentimentos humanos normais ― tanto para o bem como para o mal!
Contudo, parece muito fácil traçar um paralelo com a tecnologia moderna. Ora, a técnica salvou muita gente da morte certa desde o século XIX. Assim, a Humanidade diminuiu muito as taxas de mortalidade. Logo, a tecnologia aumentou muito as taxas de sobrevivência.
Porém, o avanço tecnológico tem aspectos tenebrosos que põe em dúvida a legitimidade do progresso técnico. Hoje somos esmagados pela mão de aço do nosso Prometeu: armas automáticas, trânsito urbano acachapante, escassez de tempo, trabalho maquinal, narcóticos debilitantes et cetera.
Portanto, eis a pergunta: precisamos da tecnologia?
_________________________________________
cf. e-book: http://literature.org/authors/shelley-mary/frankenstein/
cf. pdf: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=5257
Fonte da imagem Tempos Modernos: http://fotos.sapo.pt/vilarigues/fotos/?uid=t8VizEQnCiSmWQCS4rPK
Contudo, parece muito fácil traçar um paralelo com a tecnologia moderna. Ora, a técnica salvou muita gente da morte certa desde o século XIX. Assim, a Humanidade diminuiu muito as taxas de mortalidade. Logo, a tecnologia aumentou muito as taxas de sobrevivência.
Porém, o avanço tecnológico tem aspectos tenebrosos que põe em dúvida a legitimidade do progresso técnico. Hoje somos esmagados pela mão de aço do nosso Prometeu: armas automáticas, trânsito urbano acachapante, escassez de tempo, trabalho maquinal, narcóticos debilitantes et cetera.
Portanto, eis a pergunta: precisamos da tecnologia?
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cf. e-book: http://literature.org/authors/shelley-mary/frankenstein/
cf. pdf: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=5257
Fonte da imagem Tempos Modernos: http://fotos.sapo.pt/vilarigues/fotos/?uid=t8VizEQnCiSmWQCS4rPK
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