Bravo!

bah! quão lastimoso
se mostra o melindre

alça-te contra
a mesquinhez
dos caprichos

zombe dos pertrados
abrace efusiva
e apaixonadamente
a tua tocabilidade

saiba-te tocável
mais: dê graças
aos céus por isto

faça tudo isto
pra desdenhar
de todas as
agruras espinhosas

faça tudo isto
para mostrar-te
às claras
pra tudo e todos
que se encontram
diante da bravura!

Condor

por entre os mais altos cimos
brilham as asas ascendentes
desta fétida carranca
que se põe a esmiuçar
os podres deste mundo
pra melhor devisar
o largo e abrangente
horizonte que se descortina
em pleno passeio voandante

Fôlego

Ah... o fôlego!
movimento vital
destinado a apoiar
a saúde viçosa
do corpo por
anos a fio

aí está
um grande prêmio
a se ganhar

ganhar fôlego
pra ganhar
mais vida!

Chocante e lamentável

O caso da menina estuprada pelo padrasto é chocante e lamentável. O noticiário informa que ela conta com nove anos de idade e que foi violentada durante três anos. Porém, estava grávida de gêmeos há quinze semanas.

Os médicos, lúcida e acertadamente, procederam ao aborto. Agora, a menina, ao menos, vive.

Neste ínterim, a Igreja Católica advoga a condenação de tão urgente e premente procedimento médico. O clero católico apela para os preceitos delineados em um tal de direito canônico. O clero imagina que tal peça abriga cânones divinos. Daí, se arvoram a petulância de fazer calar a legislação nacional.

Não obstante, que há de divino em tais regramentos clericais?
Quem consegue vislumbrar algo como uma presença divina por entre tão sórdidos cânones?

Como é possível que Deus condenasse a ação dos médicos?
Que possível regra divina os médicos poderiam estar infringindo ao salvar a pobre criança?
Quem consegue perceber Deus decretando uma regra dessas...?

Se o mundo e a vida foram criados para algum propósito, decerto, que não foi para obrigar a uma menina de nove anos a dar à luz por causa de um estupro perpetrado pelo próprio padrasto dela.

Evidentemente, qualquer um que imagina ver a Deus por entre as palavras nefastas dos clérigos católicos está a ver coisas...

Obviamente, Deus jamais comunga com quem ostenta e exige regras tão sórdidas quanto as enunciadas pelo clero contra os médicos que fizeram o necessário para salvar a menina vitimada pelo padrasto.

Ora, se as normas clericais condenam o remédio que salvou a pobre menina, então, seria estapafúrdio imaginar que Deus se rebaixaria a se misturar com essa canalha sacerdotal.

Certamente, Deus se encontra muito longe das paredes dos templos dos clérigos católicos.

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Conferir:
http://g1.globo.com/jornaldaglobo/0,,MUL1031173-16021,00-NOTICIA+DA+EXCOMUNHAO+DOS+ENVOLVIDOS+COM+O+ABORTO+LEGAL+DA+MENINA+DE+ANOS+C.html

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1027006-5598,00-IGREJA+QUER+IMPEDIR+INTERRUPCAO+DE+GRAVIDEZ+DE+MENINA+DE+ANOS+EM+PE.html

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1031860-5598,00-ARCEBISPO+DIZ+QUE+SUSPEITO+DE+VIOLENTAR+MENINA+NAO+PODE+SER+EXCOMUNGADO.html

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1027006-5598,00-IGREJA+QUER+IMPEDIR+INTERRUPCAO+DE+GRAVIDEZ+DE+MENINA+DE+ANOS+EM+PE.html

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1031860-5598,00-ARCEBISPO+DIZ+QUE+SUSPEITO+DE+VIOLENTAR+MENINA+NAO+PODE+SER+EXCOMUNGADO.html

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1034805-5598,00-MAE+DE+MENINA+QUE+REALIZOU+ABORTO+DEVE+SER+OUVIDA+PELA+POLICIA.html

Voz para os mudos

Grã-Alma
Senhora de Mil
Desígnios
atenta ao clamor
de multidões
de espíritos
MUDOS
que falem
que se expressem
que se manifestem
pela pena
que tanto
te encanta
vela pela angústia
muda das gentes
Senhora do Mundo

Mediocrarquia burrocrática

"Tudo pelo social" — afinal, do que se trata este lema?

Significa que o homem deve viver conforme sua função social.
Função, esta, definida por um processo serial. Assim, cada um recebe atribuições conferidas por instâncias impessoais, através de uma linha de produção de permissões e concessões.

Daí, as qualidades pessoais tornam-se inócuas — tanto defeitos quanto virtudes.
Socializar significa, exatamente, tornar o "meu" de todos. Assim, tudo o que alguém tem por si mesmo, passa a pertencer a todos. Destarte, a pessoa mesma é socializada para pertencer ao todo social.

Neste ínterim, a socialização sufoca o potencial pessoal. Então, impede a realização de todos os potenciais. Logo, a socialização desemboca na celebração da tacanhez. Portanto, o desenlace da socialização é a instauração da mediocridade como o princípio ativo da vida social: enfim, mediocrarquia.